08/08/2011

Acidentes, Amores e Ferimentos


Por quê? Não sei, estou confuso, inseguro, temeroso, apático e sobretudo desesperançoso. A apatia é facilmente resolvida com a vida seguindo seu curso normal, faculdade trabalho família e tal. Mas nunca teve grande importância essa minha vida externa, a que os outros conseguem ver de fora e apontar o dedo na minha cara dizendo que eu sou mimado e tenho o que muita gente gostaria de ter, que não valorizo as coisas boas, que tem pessoas realmente sofrendo no mundo, enquanto eu apenas crio dores existenciais para parecer um pouco deprimido. É? Se assim o fosse, então todos somos mimados, todos somos egocêntricos, todos somos falsamente depressivos, todos choramos por dores imaginárias. Gosh! Não é assim que eu vejo as coisas, sabe. Amor é amor e para mim se ama várias vezes, não há aquele mal entendido que todos pensam haver quando se termina um namoro, apaixona-se pela pessoa "errada", não é correspondido ou desilude-se com alguém. Não, não e não! Tudo fica, deixa marcas, aquelas cicatrizes mais ou menos profundas, dependendo justamente da intensidade em que se amou, seja imaginária ou verdadeiramente. Mas isso não importa também, porque é particular, muito particular, a ponto de eu me ofender muito quando tentam impor um padrão sobre sentimentos, emoções e o respectivo modo de agir nessas situações. Eu nunca sei lidar com meus sentimentos. Nunca soube e não tenho esperanças de aprender. Falam sobre inteligência emocional, racionalidade em relações interpessoais e eu penso apenas "foda-se!". Não quer dizer que eu seja completamente irracional, eu apenas tenho fortes sentimentos sobre as pessoas, seja de amor ou ódio e não creio que isso vá mudar algum dia. Mas isso te faz mal, Guilherme! Tenho consciência dos danos, mas e se minha essência for essa? O que querem que eu faça? Tome remédios a vida inteira, faça terapia e vire um menino bonzinho e equilibrado em todas as situações? Isso não existe. Eu quero sentir de diferentes formas, níveis, intensidades, belezas, cores, músicas e pessoas. Luto pelo direito de ser suscetível (e sensível). Pois pessoas que não percebem seus amores e amigos não me soam humanas e sim produtos de um sistema que nos transforma em verdadeiros robôs. Todo mundo deve ser perfeito em todos os aspectos, mesmo os imperfeitos. Qualquer comportamento extravagante, intenso demais ou apático demais, torna-se condenável. Vá fazer terapia. Você é louco. Você é doente. Qual o seu problema? Meu problema são os outros. Mas você não vive em uma bolha isolada. Existe algo chamado sociedade, na qual você está inserido nela. Sério? Pois vos digo uma coisa: a maioria das pessoas ignora tudo e a todos e age pensando em si mesmas. O problema é que não admitem isso. Não conseguem olhar para si mesmas e perceber que atualmente quase todo mundo é egoísta/egocêntrico/individualista. E desses três conceitos surgem diversos outros, não menos problemáticos e que tornam as pessoas tão complexas que atualmente as relações sociais acabam sendo quase impossíveis de perdurarem por muito tempo. Amizade, namoro, relacionamento aberto, casamento, fuck! Parece que isso tudo ficou nos séculos anteriores, como se apenas príncipes e princesas fossem os verdadeiros merecedores. Eu não quero perder a esperança de um dia ter uma vida assim. Digo, ter uma vida pessoal/amorosa/particular tranquila, leve, bonita (ou doce). Mas me sinto atropelado por pessoas ferozes que nem se quer me socorrem quando estou quebrado no chão, sangrando, agonizando. E, partindo do pressuposto que estamos inseridos numa sociedade doente em que todos agem assim, realmente soa utópico, distante, inalcançável. Eu tenho medo, sabe?

22/02/2011

Consciência, Metas e Incertezas Que Vem e Vão


Odores sempre foram importantes para mim, de modo que quando sinto o cheiro de algo imediatamente meu cérebro me remete à lembrança de alguma coisa, de algum fato ou de alguma pessoa. É sempre assim. Algo meio mágico beber um café passado da mesma marca que eu bebi quando estava estudando para as provas do primeiro semestre da faculdade, por exemplo, e isso me trazer à memória visual os textos de História das Relações Internacionais, de Política I e assim por diante. Nostalgia. Ah, não. Paremos por aí. Basta de saudosismos. Há um tempo um cara (de São Paulo, professor de Literatura e lindo - exacerbadamente lindo) me falou que escrevo como Casimiro de Abreu e eu (simplesmente) odiei. Embora eu tenha assumido no texto anterior que sou romântico, seria um romantismo gótico, das tristezas, crises existenciais, depressão e boemia de Byron, Álvares de Azevedo, ou então, Cazuza, Renato Russo e por aí vai. Mas Casimiro é ofensa. Desculpem-me os literatos. Entretanto, relembrar é sempre bom, principalmente de um passado recente e produtivo, como foi meu primeiro ano de faculdade. Estou indo para o terceiro ano, quinto ou quarto semestre, não sei, pois estive em intercâmbio ano passado e agora receio que vou perder meus afáveis colegas e serei um estudante meio que independente de turmas, sabe, perambulando pelas disciplinas que a universidade oferecer, com colegas sabe-se lá quais e de que curso. Eis uma graduação multidisciplinar, mas eu gosto. Daqui uns dias reiniciam as aulas (digo, mês que vem) e, sim, não aguento mais ficar sem estudar. Na realidade estou no limite da abstinência intelectual e pretendo amanhã (não, melhor hoje à noite) começar a fazer algo produtivo, do tipo retomar os estudos de francês, pegar um livro qualquer de Relações Internacionais Asiáticas ou até mesmo ler os textos que não li no terceiro semestre em Política Contemporânea. Não sei. E também não importa. Apenas preciso de conhecimento, que não apenas o que a internet, meus amigos/pseudoamigos/conhecidos/bares/festas/pessoas da rua/vizinhos/minhas irmãs/meus pais/a televisão tentam me passar. Eu tenho um bom filtro, acreditem. Creio que oitenta por cento ou mais de tudo o que vejo, escuto e leio de maneira informal não seja armazenado com carinho em minha memória. Poucas são as coisas (e principalmente as pessoas) que me marcam de verdade e, além disso, que conseguem me despertar interesse, mexer comigo de alguma forma ou simplesmente me fazer sorrir. Não sei o que se passa, mas também não quero ser extremista (ou paranóico?) e me considerar apático/depressivo. Acho incrível que não consigo optar pelas palavras. Eis o porquê das barras: isso/aquilo=ambos ou whatever. Perdão. Tentei fazer planos para este ano, ah como tentei, e ainda não perdi as esperanças de segui-los. No entanto minha vida (como a de todos, seguramente) é deveras imprevisível a ponto de eu imaginar que estamos todos dentro do seu próprio jogo. Temos que passar de fases se quisermos conseguir algo, qual seja, a meta imaginária que traçamos ou que de alguma forma fomos conduzidos a chegar em tal ponto do longo caminho cujo fim prefiro nem lembrar (aquele que todos sabemos como certo, que religiões confortam e que os imortais desconhecem; não sei se me fiz entender). De qualquer forma, o plano era estudar como um não-humano, coisa que eu fiz de maneira incrível dos 17 aos 19 (e não me perguntem de onde tirei tamanha força de vontade, autodisciplina e sobretudo tempo para tal empresa), pois decidi em fins do ano passado, após voltar da Europa, que, sim, quero ser um diplomata, quero fazer o concurso do Itamaraty, custe o que custar e dane-se todos os momentos de relapso acadêmico de 2010. Nem tudo está perdido, pensei em 31 de dezembro. Isso deixa um pouco de lado aquela filosofia pré-estabelecida (por mim e para mim, óbvio) de viver os quatro anos da minha faculdade de maneira intensa, com festas e pegações. Eu cansei um pouco disso, haja vista o acentuado grau de fracasso nas minhas relações sociais (dentro e fora da universidade aqui em Porto Alegre). Tento, senhores, incansavelmente mostrar o melhor de mim, seguir qualquer coisa de moralidade e especialmente fieldade a meus princípios que eu considero serem nobres para quem me vê de fora, porém fracasso. Não sei se por mim ou pelos outros, mas o fato é que das amizades que tentei constituir desde que entrei na faculdade, a maioria absoluta ruiu de maneira incrível, doída (para mim) e irreversível. Batalha de egos, conflitos de interesses, modos distintos de ver o mundo, diferentes visões políticas, múltiplos graus de afeto e respostas aos meus sentimentos manifestados, enfim, um caos — palavra que resume e explica meu grau de instabilidade interno. Às vezes sinto que perdi o domínio do que se poderia chamar de "minha vida social" e usei "domínio" porque considero demasiadamente mais forte que "controle", o dominador impõe e controla ao mesmo tempo, ao passo que perder apenas o controle assume uma pequenez em termos de gravidade do problema — reflita. Considero o ano passado como o ápice de um gráfico mental que revela a estatística das minhas tentativas de aproximação das pessoas (seja para fins de relacionamentos cordiais, amigáveis ou algo além) e, por conseguinte, o quanto falhei (ou os outros falharam) em cada experiência. Por incrível que pareça, o primeiro fracasso social do ano — alguém que eu considerava um amigo muito próximo (até mesmo íntimo) — bem como o último — este conseguiu me tirar do marasmo todo dos fracassos intermediários e voltar a acreditar no ser humano, revelando-se simpático demais, bonito demais, semelhante demais a mim e tudo mais — foram os que mais me machucaram, logo, os mais difíceis de se superar. Mesmo assim, o ciclo fechou. As saudades acabaram (não, é auto-ilusão). Eu só queria de alguma forma, por alguns minutos, horas, dias e até meses conseguir parar de me questionar (e de dar tanta importância) a tudo isso, que se tornou o meu monstro do armário. Mas aí eu não seria humano na medida em que nasci para ser: eu, do modo que sou, confuso, perplexo, instável, mas de alguma forma ciente de toda a tempestade virtual (no sentido de não-palpável), ou talvez interna, ou existencial, ou, ad infinitum...

~* [ Into the Galaxy - MIDNIGHT JUGGERNAUTS ] *~

29/10/2009

As Reminiscências, O Passado e o Dilema da Incerteza


Eu queria ser menos romântico. E romantismo no conceito amplo, das pessoas que se emocionam com pequenas coisas ou que são subitamente interceptadas por uma vertigem ou por qualquer interrupção abrupta de sentimentos que te conduz a interromper qualquer atividade para simplesmente entregar-se ao deleite de sua epifania. Isso é bom, melhor que se drogar, pois quando se droga as coisas ficam sem sentido. No caso das reminiscências, não, pois aí todos os teus sentimentos concretos (concretos?) e ocultos dentro do que se pode chamar arquétipo de coração (sabe, não aquele coração físico, mas o coração caixinha de sentimentos que todos imaginamos ter) se manifestam, emergem como água da areia e isso é verdadeiramente incrível. Eu estava estudando Maquiavel, se o príncipe deve ser amado ou temido, quando preciso terminar de estudar para a prova de Política da próxima semana antes do final de semana para não me ver em aflito e angústia por passar sábados e domingos longe de literatura, filmes ou ócio para ter que estudar de forma que isso se torne trabalho, quando, de repente, decidi invadir um território perigoso - a parte do meu armário onde ficam coisas passadas (sim, em sentido amplo e redundante, coisas que não pertencem mais ao meu presente) - em busca de uma apostila de Filosofia para entender que tipo de argumento Maquiavel usou ao dizer que se faz isso e aquilo não se anula uma coisa nem outra pois ambas podem coexistir, entendes? Não tinha certeza se se tratava de uma condicional, de uma aditiva ou sei lá o quê, pois confundo a mecânica gramática da língua portuguesa com a lógica proposicional dos queridos filósofos (e da profe Gi), enfim...e me deparei com cartas, fotos, presentes, desenhos, cartões de aniversário e demais lembranças de meus anos anteriores que interromperam totalmente meus estudos e a busca pela apostila de Filosofia para provocar - o que só pessoas românticas podem sentir, pois as totalmente racionais ignorariam tais objetos e seguiriam na busca ou, com o insucesso disso, simplesmente retornariam a estudar tranquilamente - em minha alma tamanha inquietude e despertar de espírito que em poucos minutos me vi com lágrimas escorrendo de meus olhos e um cigarro na minha boca por estar lendo uma carta de aniversário que a Gabi escreveu pra mim em 20 de outubro de 2007. Os sentimentos foram tão intensos que cada palavra provocava o jorrar de incontáveis lágrimas. Meu rosto encharcou-se. Minha rinite atacou. Peguei um lenço. Derramei cinzas na minha roupa. A fumaça do cigarro seguiu em direção ao meu olho. Minhas mãos tremiam. Eu não conseguia mais segurar a carta. Meu peito contraiu-se. E tinham mais coisas...As palavras simples e sinceras que provocam emoções inimagináveis e um consequente (creio que não se usa mais trema, gosto de ser moderno, portanto, vou seguir a nova reforma ortográfica) turbilhão de sentimentos que não sei se conseguirei aqui descrevê-lo. Achei a carta de 2007 escrita pela Gabi para meu aniversário e lembrei exatamente do dia em que ela me entregou, lá no cursinho, toda tímida (pois todos pensavam que éramos namorados e longe disso sempre estivemos) e logo achei o cartão que ela me deu no aniversário de 2008, o qual, pela primeira vez na minha vida (em meus 20 anos) dei uma festa em meu próprio apartamento com os amigos que eu havia conquistado nos 4 anos que morei em Santa Maria, e imediatamente meu cérebro agiu como aquelas máquinas que não sei o nome, mas que rodam a fita no cinema (não sei se isso ainda existe, mas é a única analogia que posso construir no momento) e o filme realmente se passou rápido e incrivelmente frente aos meus olhos. Guile's Balcony Party foi o nome da festa do meu aniversário que significou um marco na minha vida, marco de mudança, sim, e não pelo simples evento, pois foi quando me senti realmente maduro e tudo o mais ficava pra trás, todas as tentativas de amar alguém e de ser feliz de alguma forma vivendo próximo aos meus pais ou às minhas irmãs ou até mesmo alimentando a mentira que eu havia criado para sair de casa: fazer Medicina. Creio que em 20 de outubro de 2008 eu realmente tive um insight sobre tudo o que eu vivera até então e, a partir disso, dessa reveladora epifania, mudei e senti-me mudado, o que torna as coisas irrreversíveis. Talvez aí reside a raiz dos conflitos entre eu e o Édi, pois naquele momento eu mudei tão irreversivelmente que não posso mais ser o mesmo Guilherme dos 19 anos, dos 18 anos, dos 17 anos e muito menos dos 16 anos (idade com que saí de casa e fui fazer o terceiro ano em Santa Maria). Porque de todas as fases anteriores eu havia evoluído e crescido (não importando o físico, mas o crescer por dentro) e me machucado e sofrido e experimentado (ou não-experimentado) de tal forma que nada (ou quase nada, para não ser tão radical) permanece hoje, em 2009, no modo como vivo. Não sou mais o garoto idiota e que achava ser constantemente vítima de bullying e que se considerava sempre mais feio e mais fraco que todos. Não sou mais o garoto confuso (não?) e depressivo que só usava roupas pretas, um lápis preto borrado propositalmente para passar uma imagem cadavérica e assustadora à sociedade e que não falava. Não sou o mesmo garoto que achava que fumar e beber é errado e que as pessoas jamais deveriam se render aos vícios. Não sou mais o garoto que deseja morrer por acreditar ser totalmente incompreendido e solitário no mundo. Realmente mudei, uso roupas coloridas, cabelo mais curto, sorrio, converso, não me preocupo com nenhum conceito e apenas acredito em liberdade total como filosofia de vida. E, neste exato momento, amo - sim - há aproximadamente 3 meses senti estar amando o Édi e fui conhecê-lo e descobri (mesmo com todo o pessimismo e a desilusão que fazem parte do meu eu antigo) que ele também me ama. Ainda não acredito totalmente nisso, pois me soa inacreditável e ao mesmo tempo acredito tanto que ignoro a tudo e a todos que opinam sobre minha relação com ele. Talvez agora, nesta fase da minha vida, eu não precisasse mais duvidar, pois se me considero maduro é porque tenho certeza (se bem que adultos também erram). Prefiro errar por acreditar a acreditar por errar. E também encontrei um pequeno xerox de textos do Caio Fernando Abreu que a Luci (minha irmãzinha, que foi criada comigo desde bebê até os 2 anos - eu acho) me mandou logo que entrou na UFSM - em Letras ou em Ciências Sociais, não me recordo ao certo - e vi palavras lindas do doce Caio, que o Édi também gosta agora e que diz algo como "Eu quero o risco, não digo. Nem que seja a morte". É isso, Caio resume tudo. Achei aqui também uma foto que a Gabi me deu dela, saudades, uma carta bonita das tantas que eu trocava com a Dafne, uma carta do Cesar - meu colega de cursinho por um semestre, uma carta da Carol - colega de cursinho que era julgada por namorar um professor famoso, uma carta do Tales - um guri que conheci no Halloween do ano passado e que me perguntou se eu gostava de alguém e lembro perfeitamente que respondi "Não gosto de ninguém", aí ele fez um desenho maluco e escreveu "Todo mundo gosta de alguém. Escreve isso, seu durão", uma foto de mim com meu afilhado no aniversário de 1 aninho dele, a caixinha do Marlboro Light do mal que o Édi me deu, um cartão postal da neve em Gramado, uns desenhos que a Mikaela fazia de mim, uma carta da Kati me convidando pra olhar filme (coisa que nunca fiz) com ela e com o Toni - que era meu melhor amigo e que atravessava madrugadas olhando animes comigo e ouvindo black metal e que quando começou a namorar, ele e a Kati, adotaram-me e chamavam-me de filhote. Oh, quantas coisas, quanta saudade. Eu espero não ter aborrecido quem leu toda essa merda, que funciona mais como terapia do que qualquer intenção literária de agradar a um leitor que seja, egoísmo e tal. Perdão. Torna-se inevitável a esta altura do campeonato. Uma hora da manhã e sintonizei numa rádio de gothic metal, pois tudo isso me aproxima com meu mundo de antes, aquele que ficou no passado e que o Édi não raro tenta me conduzir de volta a ele. Isso me causa estranheza, confusão de sentimentos, muitas vezes ajo com arrogância e perturbação. Eu realmente não sei se as coisas estão dando certo ou errado na minha vida, a única coisa que consigo concluir agora é que não encontrei minha apostila de Filosofia. Boa noite.


~* [ Fragile - LACUNA COIL ] *~




16/08/2009

O Primeiro Desafio Cumprido, Os Fantasmas e o Garoto da Dor


Como é de praxe, sempre começo reclamando de mim mesmo sobre o fato de não conseguir manter uma rotina que se espera de um blog decente, ou seja, escrever diariamente com afinco (como sugeria Vinícius de Moraes para aqueles que bons escritores quisessem se tornar) mas, ah, que se foda! Já desisti há tempos de ser escritor e não me importo com as boas maneiras que se deveria fazer para um deles tornar-me. Oi? Yo parezco no aceptar las cosas tal como me son dadas. Buenas, essa frase foi escrita com fúria (fúria da minha mão canhota e do meu giz de cera preto que chegou a partir-se a meio em tal empresa -ra!) na parede do meu quarto, num cantinho, sabe...ali ao lado da cortina bege e feia que ganhei da minha mãe que por sua vez ganhou da minha tia que perdeu a casa pois se mudou para a cidade onde tinha sua filha (minha prima) fugido com o namorado e enfim, ai que grande história que não tem nada a ver. Onde parei? Ah, sim, na cortina que fica em frente à janela que dá pro canto da parede que fica em frente à outra parede que tem um cofre misterioso que ninguém nunca conseguiu abrir e que eu notei no primeiro dia que vim olhar este apartamento para alugá-lo anyway. E aquela frase do escritor castelhano (palavra típica para designar "argentinos" do povoado onde nasci lá nos Sete Povos das Missões, sabe...lugarzinho do caralho cheio de gente louca, mas histórico, não se nega) Júlio Cortázar. Bah, que cara maroto! Estou rindo. Sim, cada palavra que me vêm à cabeça principalmente quando tenho precisão cirúrgica em encontrar as palavras exatas para colocar aqui, pois estou atrasado para dormir (é!), são meia-noite e 9 minutos do dia 17 de agosto e amanhã (oops, hoje) iniciam minhas aulas do segundo semestre e, emocionado como estou para ter Alemão lá no Campus Vale junto com a galerinha das Letras e também Geografia Política junto com o pessoalzinho da Geografia, preciso dormir logo para começar bem minha semana. Agora um novo e eletrizante semestre, sim, tentando conciliar pela primeira vez na minha vida trabalho com faculdade. Que cool, Guilherme! Também acho. Mas as palavras me amolando (e tu sabes o que é amolar? Hein? Hein? rá! ok, te vira meuzinho) e Cortázar na parede a fitar-me o tempo todo, não com sua aparência de escritor que vivia enclausurado só lendo lendo lendo sem parar, mas com a frase que elegi para ser meu grito de guerra na vida universitária: oh yeah! eu não aceito facilmente as coisas da forma como me são dadas! não, não mesmo! vivo criando teorias idiossincráticas para desvirtuar tudo e convergir em meu favor. Fucking selfish! É isso mesmo: eis o que sou e não estou preocupado. E hoje, fim definitivo do meu primeiro semestre de faculdade, recheado de conflitos com veteranos, colegas de aula, professores e o mundo ao meu redor belamente criado pela minha mania de perseguição cognitiva, tal qual a de ficar achando que tudo e todos conspiram contra mim, sobrevivi e, ainda, com algumas vitórias. Uma delas foi meu trabalho, sim, sou bolsista da revista do meu curso e por incrível que pareça adoro meu trampo, tenho uma sala bacana, colegas de trabalho legais, a menina que trabalha na revista da economia é muito parecida comigo e o outro cara que trabalha lá também é muito simpático, enfim, estou numa fase ótima da minha vida profissional. Nestas férias (as mais longas que já tive nos últimos anos, pois foram mais de 1 mês de férias prolongadas pela epidemia de gripe A) saí todos os finais de semana, enfrentei festas abaixo de temperaturas negativas e mesmo assim bebi, dancei, suei, fiquei com muita gente, trepei bastante e, por incrível que pareça, não peguei a gripe suína (apesar de não ter seguido nenhuma das recomendações de meus pais ou da Secretaria Estadual de Saúde -risos). E agora acabou. Estou feliz. Terminou como deveria terminar a minha primeira fase desses libertinos 4 anos de faculdade que pretendo viver a la skins: meus pais aceitando a minha escolha em fazer R.I., eu ficando com um bocado de pessoas feias e chatas com as quais eu nunca namoraria ou teria qualquer tipo de relacionamento mais sério (do tipo amizade), meus amigos todos afastados de mim (Gabriela não veio me visitar, Laura veio duas vezes e desencontrou-se proposital ou não, vai saber, Toni não me responde mais, Marcelo esqueceu que existo, Ramon só me cumprimenta quando nos topamos na rua, Ivan só tem olhos para o namorado, etc), mas uma coisa incrível veio a me animar justamente no último final de semana desse período que se encerra: algo que se pode dizer de maneira tão nobre em inglês, love. Love love love... me lembra The Organ, me lembra The Cure (e não estou respeitando a colocação pronominal), me lembra Smashing Pumpkins, oh wow! Lovely! Love is lovely. Há tempos eu não sentia nada semelhante. Não queria passar por ridículo de novo e me enganar com as coisas. Será? É um risco que se corre (e que venham as frases prontas). Quem tá na chuva é pra se molhar, sim, mas contigo babe eu queria na chuva é apenas te beijar. Ops! Acreditem, começou a chover agora. Ah, coincidência ou não, sabe-se lá.



~* [ 3055 - Ólafur Arnalds ] *~


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25/04/2009

Pensamentos desconexos e pessimistas


Semana tensa, feriado abalado por sintomas de rinite, sinusite e bronquite aliados a dor de garganta, febre, tosse e tudo mais...ai, ai. Trabalho de Análise de Conjuntura Internacional para apresentar na quarta (considerando-se que ainda não temos muita noção do que é para se fazer nesta apresentação), falei da cúpula do G-20 em Londres, mesmo estando febril na hora da explanação. No final, tudo bem. Quinta o pânico por não ter acabado o questionário para a prova de História Econômica Geral e por saber que talvez eu fosse para a primeira prova de faculdade da minha vida sem ter estudado todo o conteúdo. Melhorei. Os remédios começaram a fazer efeito e, ao retornar da aula de Introdução à Economia, às 20 horas, dediquei-me a analisar as respostas dos meus colegas e a analisar os textos e montar meu dito questionário preparatório. Estendi-me madrugada adentro entre uma conversa e outra no Messenger, entre um passeio e outro no Orkut, entre uma visita e outra no meu Fotolog, entre um ouvir e outro de músicas na minha Last.fm (tornando-me assinante, sim, naquela noite), entre um chá e outro, entre um sanduíche e outro. Eram 4 horas da madrugada. Eu estava na questão 8, faltavam duas. Aí lembrei-me de que quando pensamos estar cansados ainda temos sei lá que porcentagem de força para prosseguir em uma tarefa. Fi-lo. Pulei da oito pra dez, que era uma questão de um breve texto do Eric Hobsbawn de um livro assim intitulado: Pessoas Extraordinárias - Rebelião, Resistência e Jazz. Deixei a questão 9 para a manhã seguinte, eram 5 horas já. Adormeci. Acordei as 11 horas da manhã. Sonolento e com dor de cabeça, dirigi-me à minha escrivaninha para fazer a última e terrível questão de David Landes sobre a Revolução Industrial na Inglaterra (isso me soa pleonástico, mas é o título do texto mesmo). Banho, secar cabelo, arrumar-se, tomar remédios, RU, FCE faltando dez minutos pro início da prova. Uma breve revisão nos meus apontamentos. Seja o que Deus quiser: é tudo o que os não muito preparados para uma prova fazem nos últimos momentos. Entregam-se. Começou. Adivinhem! Caiu exatamente a questão que eu fizera de manhã e uma outra que eu também sabia. Dissertei em uma página e meia. Senti-me aliviado e feliz. O significado disso é grande, afinal, estou registrando aqui e declarando que fui imprudente e entreguei-me ao ócio por dias sem ter estudado gradativamente. Enquanto eu escrevia em minha prova, tentando fazer um joguinho qualquer de palavras para aparentar ser mais culto ou amplamente conhecedor do assunto, lembrei-me do vestibular, mais precisamente do vestibular da UFRGS, do colégio onde fiz a prova, da carteira em que sentei, dos colegas que passaram e fizeram prova na mesma sala que eu, do modo como escrevi a minha redação decisiva naquele dia D. Sim, tudo isso. E meu coração regozijou-se. Rafael sempre dizia isso: O meu coraçãozinho se regozijou. Meu pai disse isso no discurso de sua posse em 2004 eu acho, escrito por mim, regozijar-se, regozijo, meu conto Regozijo Sepulcral, de quando eu queria ser gótico a qualquer custo. Palavras, palavras, Ladyhawke em minha mente, My Delirium... Stop! Playing with my delerium coz i'm outa my head and outa my self control... E muito mais do que recordar coisas e ficar no meio da prova pensando no significado e no uso de certas palavras e visitar mentalmente milhares de situações, anos da minha vida, momentos etc e tal, senti-me feliz, grandiosamente feliz e orgulhoso de mim mesmo. O fato de eu estar numa das 500 melhores universidades do planeta e fazendo um dos mais conceituados e importantes cursos de graduação do país, mesmo que isso não seja reconhecido e nem um pouco valorizado pelos meus pais ou pelas pessoas no geral. Para mim, isso significa muito e, auto-alegrar-se é tão bom às vezes. Sentir-se bem. Sair da prova sorrindo por ter escrito com maestria e acreditar que tirou um A e correr para a biblioteca do Direito em busca de uma pilha de livros para estudar compulsivamente para a próxima prova e sim, sim, ir-se, seguir até o infinito da magnitude que meu conhecimento pode chegar. Afinal, de que adianta eu ter passado no vestibular, ter comprado uma briga imensa com minha família pra vir morar em Porto Alegre, ter abandonado toda a comodidade e os meus amigos em Santa Maria pra estar aqui sem a dedicação necessária ou mínima para que eu obtenha um sucesso parcial. É meio absurdo. Eu tomo certas consciências do nada assim. Positivas, na maioria das vezes, mas, muitas vezes, negativas e estas tanto me desagradam. Tratam-se geralmente de pessoas, comportamentos, pseudo-amigos, enfim... Se tem algo que me incomoda bastante é esse assunto, o quão não incompreensível podem ser todos que estão ao meu redor ou, ao contrário, eu sou tão incompreensível que chego a pensar em me tratar com algum psiquiatra ou analista. Nesse ponto que fico feliz por não morar mais em Santa Maria. Cidades pequenas geralmente ampliam estas dores (desconsidera-se que Santa Maria é uma cidade média, mas mesmo assim muitas pessoas já me conheciam por lá, o que não vai ser tão fácil de acontecer aqui em Porto Alegre) e eu acabo me desiludindo com todo mundo. A um primeiro contato, acho todos bacanas e descolados. Logo vejo, então, que são fúteis e burros e aí vem a decepção. Decepção seguida de reclusão seguida de exclusão que gera lacuna entre as pessoas (eu e os outros, os desconsideráveis). Porém essas pessoas poderiam ser legais, poderiam ser amigas, etc etc ... ah, não sei! É complicado. Mas, concluindo (pois não quero mais continuar este texto), quem disse que eu também não sou fútil e burro? Talvez não resida aí a importância entre as relações sociais. Deixa, deixa, deixa... É melhor não se preocupar. Morreremos logo. Agora que estou na faculdade e o que quero é aproveitar. Depois, tudo vai se acabar... acho que quando eu começar a trabalhar e, talvez, casar-me, aí será minha morte.


[[ Listening ---* Mediengruppe Telekommander - Trend *]]

19/04/2009

O Garoto, os sonhos e o desejo de neve


"Diante de uma neve, um Ser de Beleza de alto talhe. Sibilações de morte e os
círculos de música surda levitam seu corpo adorado, e ele se expande e treme
como um espectro; feridas escarlates e negras rebentam nas carnes soberbas.
As cores próprias da vida ficam foscas, dançam e se desatam ao redor da
Visão, sobre o estaleiro. E os frissons se elevam e rugem, e o sabor delirante
desses efeitos se estocam com as sibilações de morte e as músicas roucas que
o mundo, ao nosso encalço, lança sobre nossa mãe de beleza, — ela levanta,
ela recua. Oh! nossos ossos revestidos por um novo corpo de amor."


Text retired from: RIMBAUD, Jean-Nicolas Arthur. Being Beauteous, Iluminuras.
This shot belongs to Joseph edited by me.
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02/04/2009

O Medo e a Partilha das Coisas que Nunca se Sabe para onde Vão


"Sometimes i think i was born backwards ... you know, come out of my mum the wrong way. I hear words go past me backwards. The people I should love I hate and the people I hate..."
Finalmente tomei coragem para atualizar o meu blog. Andei meio sem tempo e, desde novembro, nossa! quanta coisa mudou em minha vida. Surpreendente mesmo. Em síntese, saí um pouco do tédio e da burra insistência de estudar sempre para algo que não me levava a nada. Consegui, em parte, libertar-me de meus pais, apesar de que ainda me sinto tão-tão-tão-tão frágil diante das coisas do mundo e não consigo andar com minhas próprias pernas (não?). De fato, só porque consegui romper com velhos (e bota velhos nisso!) hábitos não significa que algo tão forte sobre minha personalidade tenha se alterado. Não, não...E nem quero saber, tenho medo, não consigo me auto-analizar, não consigo ler meus sentimentos, não consigo saber em que mundo estou, não consigo decidir se minhas ações são legais ou ruins para os outros, não consigo perceber as respostas, não consigo discernir entre zét ou tib. Whatever. Aliás, nem sei o que estou escrevendo. Quanta merda, enfim... Eu precisava escrever e sempre que minhas mãos dominam minha razão, sai algum texto, algum desabafo, alguma poesia (isso faz tempo que não), algum novo efeito no Photoshop, algumas linhas a mais em meu livro, alguma carta à mão para um amigo, algum devaneio inútil, algum novo sonho etc etc. Mas por falar em sonhos, acho que é sobre isso, afinal, eu comecei usando umas das frases que mais me impressiona(ou) em seriados, da Effy, do Skins, o seriado rebel, Bristol e tal tal tal. Como eu queria morar lá, cara. Aliás, quero muito sair desse país o quanto antes. Não que eu não esteja feliz com meu presente. No no! Estou muito bem teoricamente, pelo menos. Ah, preciso parar uns minutos pra degustar Crystal Castles. Cara, não existe banda mais foda que essa! Ouçam. Continuando, sim, estou feliz. Eu passei na UFRGS para um curso que eu sempre quis muito fazer e que na verdade nem sabia que gostava tanto por estar bitolado (bitola do meu pai, bitola da sociedade, cabresto da minha mãe, cabestro da sub-sociedade, a outra que vocês nem conhecem e que não é secreta, mas que é sub, under, grouuuuuund---lá lá bem embaixo, sabe que nem mesmo eu a encontro de vez em quando, mas tá, influi e putz é muito ruim estar preso - fecha logo o parênteses) Fechei! Ok. Assim que me descavernei e vi que não é só Platão que acreditava em mundo ideal, mundo real e tal, pude realmente tomar alguma decisão de fato na minha vida. Assim larguei os preceitos (eu falei preceitos e não pré-conceitos, veja!) para tentar um pouco escapar de tudo aquilo. É, fui pra bem longe. Doeu. Meus amigos ficaram e as lágrimas também, a solidão da amizade de quem sempre reclamou que ninguém para passar qualquer momento inútil ou para qualquer saída ao DCE, para causar qualquer boa ou péssima (geralmente péssima) impressão ficando ou não com alguém no Macondo, bebendo ou dançando samba-rock no Bunker e blábláblá tinha . E também de quem reclamava que tinha uma amiga loira tão loira e tão louca e tão linda e tão desejada e que todos pensavam ser minha namorada saudades teria. E ainda que se arrumar pra sair, beber, rir, dançar, cair, não lembrar onde está e acordar em casa no outro dia com um coturno na porta e o outro no corredor e um stranger do teu lado é(foi) muito massa para quem não pôde fazer isso com dezesseis, dezessete, dezoito anos. Criaturas incansáveis. I promise you one day... Tudo isso ficou. Pra trás, por perto ou para nunca mais. Nevermore! Nevermore oh, Poe! Talvez. A vida é outra, a cidade é outra, o momento é outro. O outro sou eu. Eu sou o outro. Tudo é outra coisa. You know, baby? Nem eu. Mas assim tudo segue e eu não consigo perceber o que mudou, o quanto tenho me afastado da minha família, não porque estou morando longe (há quatro anos o faço), mas porque estou tentando não amá-los mais. É melhor eu deixar de amar minha família antes que eles o façam primeiro. Eu não sei se poderia suportar. E também não sei se posso... i really don't know if i can do it. Cruel intentions. Não, eu não vou matar meus pais e tampouco os odeio. São apenas problemas não compreensíveis nem por mim nem por eles nem por ninguém, mas que existem e machucam e ferem e incomodam e matam. Aquelas coisas de morrer por dentro, aquelas dores existenciais fortes que muitos riem e acham inútil. Sim, é inútilíssimo, porém legítimo. O que se pode fazer? Fim das contas, né Effy, somos tão universais. E sentimos coisas tão parecidas e sofremos com coisas tão complexas. Às vezes dá vontade de ser um animal irracional. Os animais não possuem signos linguísticos do tipo simbólico. Ok, que bom pra eles, assim não sofrem tanto. Oh my god, esse post já ficou imenso. Chega. Começou o Video Kid, corram crianças! corram! corram! o Coelhinho Sedento chegou. Não faças riso, amigo, sabes bem... ele não mora aqui. Eu só queria que logo as coisas se ajeitassem e eu pudesse seguir sem temer tanto o contrário. Sem achar que nasci ao reverso e que nada faz sentido algum. Assim, talvez...eu acredito.