Por quê? Não sei, estou confuso, inseguro, temeroso, apático e sobretudo desesperançoso. A apatia é facilmente resolvida com a vida seguindo seu curso normal, faculdade trabalho família e tal. Mas nunca teve grande importância essa minha vida externa, a que os outros conseguem ver de fora e apontar o dedo na minha cara dizendo que eu sou mimado e tenho o que muita gente gostaria de ter, que não valorizo as coisas boas, que tem pessoas realmente sofrendo no mundo, enquanto eu apenas crio dores existenciais para parecer um pouco deprimido. É? Se assim o fosse, então todos somos mimados, todos somos egocêntricos, todos somos falsamente depressivos, todos choramos por dores imaginárias. Gosh! Não é assim que eu vejo as coisas, sabe. Amor é amor e para mim se ama várias vezes, não há aquele mal entendido que todos pensam haver quando se termina um namoro, apaixona-se pela pessoa "errada", não é correspondido ou desilude-se com alguém. Não, não e não! Tudo fica, deixa marcas, aquelas cicatrizes mais ou menos profundas, dependendo justamente da intensidade em que se amou, seja imaginária ou verdadeiramente. Mas isso não importa também, porque é particular, muito particular, a ponto de eu me ofender muito quando tentam impor um padrão sobre sentimentos, emoções e o respectivo modo de agir nessas situações. Eu nunca sei lidar com meus sentimentos. Nunca soube e não tenho esperanças de aprender. Falam sobre inteligência emocional, racionalidade em relações interpessoais e eu penso apenas "foda-se!". Não quer dizer que eu seja completamente irracional, eu apenas tenho fortes sentimentos sobre as pessoas, seja de amor ou ódio e não creio que isso vá mudar algum dia. Mas isso te faz mal, Guilherme! Tenho consciência dos danos, mas e se minha essência for essa? O que querem que eu faça? Tome remédios a vida inteira, faça terapia e vire um menino bonzinho e equilibrado em todas as situações? Isso não existe. Eu quero sentir de diferentes formas, níveis, intensidades, belezas, cores, músicas e pessoas. Luto pelo direito de ser suscetível (e sensível). Pois pessoas que não percebem seus amores e amigos não me soam humanas e sim produtos de um sistema que nos transforma em verdadeiros robôs. Todo mundo deve ser perfeito em todos os aspectos, mesmo os imperfeitos. Qualquer comportamento extravagante, intenso demais ou apático demais, torna-se condenável. Vá fazer terapia. Você é louco. Você é doente. Qual o seu problema? Meu problema são os outros. Mas você não vive em uma bolha isolada. Existe algo chamado sociedade, na qual você está inserido nela. Sério? Pois vos digo uma coisa: a maioria das pessoas ignora tudo e a todos e age pensando em si mesmas. O problema é que não admitem isso. Não conseguem olhar para si mesmas e perceber que atualmente quase todo mundo é egoísta/egocêntrico/individualista. E desses três conceitos surgem diversos outros, não menos problemáticos e que tornam as pessoas tão complexas que atualmente as relações sociais acabam sendo quase impossíveis de perdurarem por muito tempo. Amizade, namoro, relacionamento aberto, casamento, fuck! Parece que isso tudo ficou nos séculos anteriores, como se apenas príncipes e princesas fossem os verdadeiros merecedores. Eu não quero perder a esperança de um dia ter uma vida assim. Digo, ter uma vida pessoal/amorosa/particular tranquila, leve, bonita (ou doce). Mas me sinto atropelado por pessoas ferozes que nem se quer me socorrem quando estou quebrado no chão, sangrando, agonizando. E, partindo do pressuposto que estamos inseridos numa sociedade doente em que todos agem assim, realmente soa utópico, distante, inalcançável. Eu tenho medo, sabe?





