
Como é de praxe, sempre começo reclamando de mim mesmo sobre o fato de não conseguir manter uma rotina que se espera de um blog decente, ou seja, escrever diariamente com afinco (como sugeria Vinícius de Moraes para aqueles que bons escritores quisessem se tornar) mas, ah, que se foda! Já desisti há tempos de ser escritor e não me importo com as boas maneiras que se deveria fazer para um deles tornar-me. Oi? Yo parezco no aceptar las cosas tal como me son dadas. Buenas, essa frase foi escrita com fúria (fúria da minha mão canhota e do meu giz de cera preto que chegou a partir-se a meio em tal empresa -ra!) na parede do meu quarto, num cantinho, sabe...ali ao lado da cortina bege e feia que ganhei da minha mãe que por sua vez ganhou da minha tia que perdeu a casa pois se mudou para a cidade onde tinha sua filha (minha prima) fugido com o namorado e enfim, ai que grande história que não tem nada a ver. Onde parei? Ah, sim, na cortina que fica em frente à janela que dá pro canto da parede que fica em frente à outra parede que tem um cofre misterioso que ninguém nunca conseguiu abrir e que eu notei no primeiro dia que vim olhar este apartamento para alugá-lo anyway. E aquela frase do escritor castelhano (palavra típica para designar "argentinos" do povoado onde nasci lá nos Sete Povos das Missões, sabe...lugarzinho do caralho cheio de gente louca, mas histórico, não se nega) Júlio Cortázar. Bah, que cara maroto! Estou rindo. Sim, cada palavra que me vêm à cabeça principalmente quando tenho precisão cirúrgica em encontrar as palavras exatas para colocar aqui, pois estou atrasado para dormir (é!), são meia-noite e 9 minutos do dia 17 de agosto e amanhã (oops, hoje) iniciam minhas aulas do segundo semestre e, emocionado como estou para ter Alemão lá no Campus Vale junto com a galerinha das Letras e também Geografia Política junto com o pessoalzinho da Geografia, preciso dormir logo para começar bem minha semana. Agora um novo e eletrizante semestre, sim, tentando conciliar pela primeira vez na minha vida trabalho com faculdade. Que cool, Guilherme! Também acho. Mas as palavras me amolando (e tu sabes o que é amolar? Hein? Hein? rá! ok, te vira meuzinho) e Cortázar na parede a fitar-me o tempo todo, não com sua aparência de escritor que vivia enclausurado só lendo lendo lendo sem parar, mas com a frase que elegi para ser meu grito de guerra na vida universitária: oh yeah! eu não aceito facilmente as coisas da forma como me são dadas! não, não mesmo! vivo criando teorias idiossincráticas para desvirtuar tudo e convergir em meu favor. Fucking selfish! É isso mesmo: eis o que sou e não estou preocupado. E hoje, fim definitivo do meu primeiro semestre de faculdade, recheado de conflitos com veteranos, colegas de aula, professores e o mundo ao meu redor belamente criado pela minha mania de perseguição cognitiva, tal qual a de ficar achando que tudo e todos conspiram contra mim, sobrevivi e, ainda, com algumas vitórias. Uma delas foi meu trabalho, sim, sou bolsista da revista do meu curso e por incrível que pareça adoro meu trampo, tenho uma sala bacana, colegas de trabalho legais, a menina que trabalha na revista da economia é muito parecida comigo e o outro cara que trabalha lá também é muito simpático, enfim, estou numa fase ótima da minha vida profissional. Nestas férias (as mais longas que já tive nos últimos anos, pois foram mais de 1 mês de férias prolongadas pela epidemia de gripe A) saí todos os finais de semana, enfrentei festas abaixo de temperaturas negativas e mesmo assim bebi, dancei, suei, fiquei com muita gente, trepei bastante e, por incrível que pareça, não peguei a gripe suína (apesar de não ter seguido nenhuma das recomendações de meus pais ou da Secretaria Estadual de Saúde -risos). E agora acabou. Estou feliz. Terminou como deveria terminar a minha primeira fase desses libertinos 4 anos de faculdade que pretendo viver a la skins: meus pais aceitando a minha escolha em fazer R.I., eu ficando com um bocado de pessoas feias e chatas com as quais eu nunca namoraria ou teria qualquer tipo de relacionamento mais sério (do tipo amizade), meus amigos todos afastados de mim (Gabriela não veio me visitar, Laura veio duas vezes e desencontrou-se proposital ou não, vai saber, Toni não me responde mais, Marcelo esqueceu que existo, Ramon só me cumprimenta quando nos topamos na rua, Ivan só tem olhos para o namorado, etc), mas uma coisa incrível veio a me animar justamente no último final de semana desse período que se encerra: algo que se pode dizer de maneira tão nobre em inglês, love. Love love love... me lembra The Organ, me lembra The Cure (e não estou respeitando a colocação pronominal), me lembra Smashing Pumpkins, oh wow! Lovely! Love is lovely. Há tempos eu não sentia nada semelhante. Não queria passar por ridículo de novo e me enganar com as coisas. Será? É um risco que se corre (e que venham as frases prontas). Quem tá na chuva é pra se molhar, sim, mas contigo babe eu queria na chuva é apenas te beijar. Ops! Acreditem, começou a chover agora. Ah, coincidência ou não, sabe-se lá.
~* [ 3055 - Ólafur Arnalds ] *~
The shoot belongs to Edi
http://www.fotolog.com.br/aashes
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1 comentários:
Olá garoto sumido que não encontro mais e as cartas enclausuradas em uma caixinha....
a minha perseguição cognitiva na verdade é uma conspiração... ri bastante lendo as suas palavras... a minha vida é uma confusão sem sentido... parei o semestre da faculdade, ajudo as tardes em uma gráfica, adoro ver os livros sendo montados, apesar de que faz mais ou menos um mês que não leio um único liro (que vergonha Daf),pois é, minha contagem desse ano pelo jeito vai terminar nos 45 livros lidos, haaa que se dane, não conseguirei bater meu record...
Hei.. é sério, temos que nos conhecer, desta vez não aceito desculpas, tera de dar um jeito.
Bebo tudo que tenho para beber, no outro dia apenas fica como um zumbi a caminhar pela casa enquanto vejo a bagunça do meu quarto que está literalmente uma zona, eu sei, tenho que organiza-lo, mas por enquanto que se F... isso. Melhor eu parar de escrever, pois já esta uma confusão essas coisas que escrevi e devo iniciar o almoço... é o que me resta depois de uma manhã inteira na cama...
Beijoss garoto lunatico...
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